Missa
Os olhos estavam carregados de morte, sabia que cedo ou tarde se perderia no lodo e barro...
Sentia a vida abaixo da batina, a castidade o castigava como feitor ao escravo,
Sua sede de sangue só seria saciada se afiasse as garras
e desnudasse todos os santos...
O corpo em luto se confrontava com o inimigo,
Seres vis e grotescos habitavam seus pensamentos bajulando-o de tal maneira
que Proteus, o deus das trevas, o abraçava em segredo!
Sua lascívia o arrebatava em devaneio e, no meio a missa, ofereceu o sêmen como hóstia
e seu desejo como vinho.
Seus olhos não viam as crianças gritando de fome e tampouco as mães que se prostituíam.
Em sua face a piedade tornara-se tirania e vingança contra todas as falanges angelicais.
O altar estava plúmbeo como suas meninas sedentas que procuravam presas pelo recinto,
Talvez delirasse, talvez se ocultasse de si próprio... mas vivia, ainda!
Precisaria de um novo corpo após a missa e de um novo regente para
a sua orquestra íntima.
Estava sozinho, imaginava-se ausente de toda dor...
Mas não estava! O que via em suas mãos eram as lágrimas de todas as mães
e o terror de todos os pais. Era sua dor. Sua realidade. Sua vida...
Queria fugir e proclamar o que sentia,
Queria exórdio encontrar no escuro um abrigo para o seu sexo,
E fugir da mentira uma vez mais... Não podia,
Falava mais alto os olhos fiéis que o acompanhavam em pensamentos
e clamavam em silêncio pelo silêncio interior. Eram víboras. Eram homens.
E no fim da missa seus braços fortes levantariam crianças desejadas em segredo
e apalpariam o sexo de todos companheiros.
A ilusão cegaria a todos,
Talvez soubessem da mentira,
Mas a manteriam mais uma vez...
Com o silêncio de todos os santos
E o clamor de todos os anjos!
Comentários
Olha, não sei o que tá acontecendo com meu perfil no Orkut, tá completamente "travado temporariamente" segundo mensagem de erro.
Como vc colocou o mesmo email nos comentários do blog Unilateral, eu te respondi lá!
Obrigado pela atenção e um grande abraço!