O tempo é estranho
Ainda era cedo, dizia ao olhar o relógio. O tempo é estranho, pensou. Tempo parecia uma questão de perspectiva, de olhar, de se importar. Esperava. Há horas, talvez. Dias ou mais que isso. Mas, ainda era cedo... era preciso mais que os dias, semanas, meses. Era preciso de tempo, do tempo estranho, pensou. Para que florescesse e as frutas viessem. Para maturar. Para crescer. Leu o bilhete novamente. Como havia lido por dezenas de vezes, centenas, talvez. Era uma despedida. Seca. Sem emoção. Sem as promessas que tantas vezes se fizeram mutuamente. Um adeus lacônico e distante... o tempo é estranho, pensou. Corrompeu o sentimento que havia, se é que havia. Mas ainda era cedo, poderia esperar. Era preciso mais tempo do tempo, em dias, semanas ou meses. Levantou-se, deixou o bilhete e pegou do café que havia feito pela manhã. Logo seria tempo de seu almoço, mas precisava do café. Seu gato moveu-se preguiçosamente pela sala e um vento balançou a planta sobre o móv...