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A mediocridade não vivida

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Hoje eu me levantei triste, profundamente triste. Ubatuba me saúda com uma paisagem linda pela janela, vejo o mar que é fascinante. E ainda assim estou triste, melancólico e solitário.  Sinto-me deslocado por gostar do que poucos gostam e estar com pessoas que me cobram para enturmar em seus barulhos, suas bebidas e pela busca desenfreada por prazer sexual. Sinto-me deslocado por não conseguir, ainda que às vezes, ser superficial.  Eu quero falar sobre espiritualidade, sobre filosofia e debates profundos sobre a existência... mas não é possível. Então, sozinho, observando o mar, questiono uma vez mais sobre a vida não vivida... sobre a vida que poderia ter sido com as companhias, as bebidas e a mediocridade que permeia a todos. Não, não é fácil ser diferente. Eu queria só por um momento gostar da mediocridade, do absurdo da mediocridade, do riso fácil e da alegria idiota que está em todos que se deleitam com músicas de funk e bebidas que se repetem... eu juro que queria, só po...

E isso, enfim, irá bastar... Marina

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  Há dias me lembro de você, Marina. Vejo suas fotos antigas e seus olhos nunca brilhavam ao meu lado… mas eu aprendi que recebemos do mundo e das pessoas o reflexo de nossas expectativas internas: e você nada mais me entregou senão o que eu esperava de você. Do que você tinha para entregar. Do que eu acreditava que poderia vir de você. É estranho me lembrar e ainda sentir. É estranho ainda ter emoção. É estranho desejá-la e amá-la e, ao mesmo tempo, desdenhá-la e odiá-la com toda profundidade possível. Sim, eu sei, sou contraditório porque estou machucado. E procurei você em outras pessoas, sem encontrá-la. E continuei a sofrer, calado e no choro solitário da noite, pela rejeição que vivi por me entregar demais. As palavras não são o suficiente, Marina... espero que a dor que senti ainda seja para você uma boa e perene companhia. E isso, enfim, irá bastar.

Mefistófeles e o encontro no deserto

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E então ele me perguntou, nesse deserto, quem eu era. Não, minto, antes, ele me perguntou se eu sabia quem eu era, se eu sabia porque estava ali. Eu me assustei, fiquei calado um momento ou outro, em dúvida sobre a própria jornada. Como se aquela pergunta, simples e direta, me trouxesse um calafrio e um medo profundo por não saber responder - embora a resposta sempre estivesse aqui, clara como a luz do sol escaldante do deserto, onde eu fugia de mim para não me tornar quem sou. Ele riu, como Mefistófeles, e caçou da minha perdição. Rodopiou pelo ar, levantando areia, dizendo que eu nunca sairia dali negando minha natureza... ele riu novamente, uma gargalhada dura que me fazia cair de joelhos diante da grandeza da minha alma, aquela que me conduziu ao deserto para jornada de auto descoberta de mim. Ah, minha alma, minha alma... porque me permite ver o inferno se ainda me assusto com as chamas de fogo que me queimam a carne.  Eu clamava e ele ria de mim. E repetia que eu fugia de mim...

Ser Mulher - Tornar-se Mulher

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Existem vários mitos do feminino, tantos quantos há mulheres para vivenciá-los. Eles podem ser agrupados em grandes tipos e serem representados por divindades em todas as culturas, como a sedutora Vênus, que nasce pura, ou a guerreira Artemis que carrega a sabedoria. Essas mesmas características estão em Ishtar, em uma outra época e cultura, ou em Matamba e Oshun nos mitos africanos. Exemplos para falar de apenas algumas das características do feminino, riquíssimo e vasto com lendas que envolvem desde as senhoras do destino à Grande Mãe que trouxe vida  todo planeta. Musas, senhoras, dona do mistério, guerreiras, símbolos do poder em todas as culturas: eis uma pequena fração do que é o feminino! Reconhecer o próprio feminino é tomar posse do próprio poder, que é criativo, transformador, regenerador, destrutivo e condutor. Conectar-se com os próprios ciclos e com os ciclos do planeta intensifica o poder e a sua expressão, como a Terra escurece-se no inverno e ressurge no verão, al...

A solidão e a liberdade

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Não há liberdade sem conhecer a solidão, sem saber quem é você quando há nada e ninguém que amarre seus pés impedindo a caminhada. A solidão não é um caminho de dor e sofrimento, é o reconhecimento da capacidade de escolha, sem se obrigar a satisfazer a um Outro que pede, ainda que em silêncio, que você seja de uma forma específica, seja uma pessoa específica, tenha um comportamento específico. A solidão liberta quando você se enxerga capaz de agir por si e somente por si, sem que haja qualquer justificativa moral ou ética diferente dos seus próprios valores... valores seus, somente seus, adquiridos ao longo da vida, por influência social e familiar, mas que se transformam em algo seu, consciente, totalmente individual... quem age pela própria ética, também é livre. Quem obedece por medo ou necessidade de pertencer, está com a alma aprisionada na escuridão. A dependência emocional, a necessidade de pertencimento, as amarras que fazem com que suas ações sejam limitadas e seu querer seja...

Frango com Quiabo

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Tem sido uma semana de altos e baixos, emocional, sobretudo. Os dias estão passando e sinto a vida entrando em mim, com todas miríades de cores e sentimentos, fazendo de minha realidade uma experiência única. Os dias são intensos, há muito o que perceber e sentir... como se todas as memórias ocupassem o mesmo espaço, ao mesmo tempo, para uma única vida. Marina se foi e me lembrei de Bea, a morta. Acho que nunca superei Bea verdadeiramente e, talvez, eu nunca supere Marina. E essa é a beleza dessa vida que entra em mim: não é preciso superar, apenas compreender. Nem tudo será como queremos, mas tudo será como construímos. Bea era fraca e obcecada por futilidades, mentiras e confusões... tinha um jeito único de fazer amor e isso me satisfazia, na época. Hoje, não seria o suficiente. Bea nunca seria o suficiente, Marina nunca seria o suficiente. Não por ela, que é simples e vazia, mas por mim mesmo. Acredito que enquanto eu não me tornar o suficiente por mim mesmo, com o que sou e me torn...

Adeus, Marina

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  Eu deixei de amar você, Marina. Parece que o tempo demonstrou que tudo passa, inclusive o amor. Estou finalmente livre e o que sinto em relação a você é apenas gratidão, porque aprendemos e crescemos juntos enquanto juntos estivemos. Vi sua foto na rede social e seu sorriso me lembrou seu riso fácil, cantando qualquer música aleatória, tomando vinho e fumando um cigarro de maconha… e como você gostava de maconha, Marina. A música alta, o vinho, seu riso e a maconha. É incrível como nos encontrávamos e nos perdíamos nesses lugares onde fingíamos uma alegria que estava longe de ser mútua. Eu, que sempre odiei maconha e música alta, me embriagava de vinho para ter sua companhia. Mas, como eu dizia, aprendemos e crescemos juntos. Você me devolveu a vontade de viver e aprendi a me amar enquanto você me amava. Você, que nunca havia sentido a vida, encontrava em mim um sentido em viver. Eu retomei meus projetos quando você soltava sua alegria e me contagiava com jovialidade e seu ...