Simplesmente Ordinário
Risível: era assim que classificaria Bernardo! Ele estava distante, cheio de uma soberba que lhe era própria e em busca de uma simplicidade que nunca existiu. Ele estava só, mas acreditava que em paz. Na verdade, ele era portador de uma civilidade cínica e contumaz!
Retirou sua capa e resolveu caminhar. Desceu. Lembrou-se do tempo em que nada sabia e assim poderia imiscuir-se à multidão de forma negligente, como parte dela. Hoje, com seus 20 anos, mesmo que seus olhos revelassem o turbilhão de seus pensamentos, os seus gestos denotavam que não pertenceria à massa. E sabia disso!
Entrou em um canto qualquer e em poucos minutos, avidamente, encontrou-se com uma boca para lhe injetar suas pérfidas sensações de distância e solidão. No escuro e ao som de uma música qualquer, exaltou Eros e entregou-se à luxúria. Por um momento, esqueceu-se de seu nome para, em euforia, despir-se dos conceitos de classe e entregar-se ao comum.
Ao final da dança, perguntou-lhe o nome e a convidou para um refrigerante barato, ali mesmo na boate. Ela se revelou através de um apelido estranho, o que lhe fez pensar que seu nome seria Antonia. Ela lhe contou sobre sua infância pobre em Recife e, ao pedir um guaraná no balcão, ela lhe confessou ser ainda feliz. Trouxera em sua bolsa alguns amendoins que vieram dos trens, comeu-os com o guaraná que comprara e deixou-se rir para que ele contemplasse seus dentes que não eram belos. Ela, Antonia, gostava de coisas simples como a gente com quem convivia naquele espaço.
Saíram. Procuraram por um bar onde teriam um pouco mais de silêncio. Sentaram-se novamente. Ela se calou e o incumbiu de pedir algo para ambos. Bernardo quis pizza, mas a garçonete, pouco habituada à educação que ele exalara, não lhe trouxe. Tomou um suco e ela, Antonia, sorria ao lhe dizer que adorava seu trabalho de faxineira, embora sonhasse em ser jornalista... Quando questionada sobre o que lia, ela, orgulhosa, respondera que era uma grande conhecedora de horóscopo e muito já havia aprendido sobre as palavras... Ele se calou!
Por um momento ele teve dúvidas sobre quem era e o que tinha pela frente. Questionou sua própria ambição, seu crescimento e tudo o quanto vivia. Questionou seu destino e por onde andaria quando o encontrasse. Questionou, sobretudo, o que fazia com Antonia! Levantaram-se ambos, após um tempo ou dois, a partir. Ela o censurava, ao dizer-lhe que não deveria ambicionar tanto da vida. Dizia que a alegria era o agora, sem se entristecer pelo que não tem...
Talvez Bernardo aprenda muito com Antonia. Talvez ele a leve ao teatro ou lhe ensine como manejar os talheres ao comer. Talvez ainda se deixe envolver e seja simplesmente ordinário, ao perder essa arrogância que faz dele um ser pensante! Não seria essa noite, todavia. Bernardo voltaria sua andança e retornaria, em sua civilidade cínica e contumaz!
Retirou sua capa e resolveu caminhar. Desceu. Lembrou-se do tempo em que nada sabia e assim poderia imiscuir-se à multidão de forma negligente, como parte dela. Hoje, com seus 20 anos, mesmo que seus olhos revelassem o turbilhão de seus pensamentos, os seus gestos denotavam que não pertenceria à massa. E sabia disso!
Entrou em um canto qualquer e em poucos minutos, avidamente, encontrou-se com uma boca para lhe injetar suas pérfidas sensações de distância e solidão. No escuro e ao som de uma música qualquer, exaltou Eros e entregou-se à luxúria. Por um momento, esqueceu-se de seu nome para, em euforia, despir-se dos conceitos de classe e entregar-se ao comum.
Ao final da dança, perguntou-lhe o nome e a convidou para um refrigerante barato, ali mesmo na boate. Ela se revelou através de um apelido estranho, o que lhe fez pensar que seu nome seria Antonia. Ela lhe contou sobre sua infância pobre em Recife e, ao pedir um guaraná no balcão, ela lhe confessou ser ainda feliz. Trouxera em sua bolsa alguns amendoins que vieram dos trens, comeu-os com o guaraná que comprara e deixou-se rir para que ele contemplasse seus dentes que não eram belos. Ela, Antonia, gostava de coisas simples como a gente com quem convivia naquele espaço.
Saíram. Procuraram por um bar onde teriam um pouco mais de silêncio. Sentaram-se novamente. Ela se calou e o incumbiu de pedir algo para ambos. Bernardo quis pizza, mas a garçonete, pouco habituada à educação que ele exalara, não lhe trouxe. Tomou um suco e ela, Antonia, sorria ao lhe dizer que adorava seu trabalho de faxineira, embora sonhasse em ser jornalista... Quando questionada sobre o que lia, ela, orgulhosa, respondera que era uma grande conhecedora de horóscopo e muito já havia aprendido sobre as palavras... Ele se calou!
Por um momento ele teve dúvidas sobre quem era e o que tinha pela frente. Questionou sua própria ambição, seu crescimento e tudo o quanto vivia. Questionou seu destino e por onde andaria quando o encontrasse. Questionou, sobretudo, o que fazia com Antonia! Levantaram-se ambos, após um tempo ou dois, a partir. Ela o censurava, ao dizer-lhe que não deveria ambicionar tanto da vida. Dizia que a alegria era o agora, sem se entristecer pelo que não tem...
Talvez Bernardo aprenda muito com Antonia. Talvez ele a leve ao teatro ou lhe ensine como manejar os talheres ao comer. Talvez ainda se deixe envolver e seja simplesmente ordinário, ao perder essa arrogância que faz dele um ser pensante! Não seria essa noite, todavia. Bernardo voltaria sua andança e retornaria, em sua civilidade cínica e contumaz!
Comentários
O ato de escrever, por mais prazeroso que seja, ainda é trabalhoso, e quanto mais tempo investimos em um texto, mais ficamos com pena de matá-lo. O problema é que nem todo texto funciona. A idéia pode ser fraca, não achamos o tom, a conclusão não nos agrada… A tentação nos leva a tentar salvar o trabalho, seja com remendos, seja usando só parte dos textos.
Isso é ruim. Um texto fraco sempre será fraco. Com a experiência descobri que por incrível que pareça, escrever um texto do zero é mais rápido e gratificante do que remendar algo ruim de nascença.
Note que nem todo texto que precisa de revisão é ruim. A rigor todo texto precisa de revisão. O texto ruim mesmo é aquele que você olha e diz “legalzinho” e olhe lá. Um texto com uma forma ruim mas uma idéia central excelente dificilmente será um texto ruim. Assim temos quatro tipos de textos:
• Idéia boa / execução boa: o ideal. Publique imediatamente.
• Idéia boa / execução ruim: se tiver tempo conserte. Se não, publique assim mesmo
• Idéia ruim / execução boa: Acontece mais do que você imagina. Não publique, mas guarde, para aprender com ela
• Idéia ruim / execução ruim: Publique, como comentário, usando o nome de alguém que você não gosta.
Se você quer se destacar, se quer que seu blog faça diferença, seja criterioso. Ter o poder de botar no ar qualquer porcaria não quer dizer que devamos colocar no ar qualquer porcaria, só pra fazer volume. Do contrario você ficará tentado pelo caminho mais fácil, e escrever porcaria é muito, muito fácil.
Difícil é chegar a algum lugar produzindo lixo.
Foi exatamente o comentário que li acima que encontrei em meu Blog, sobre um texto de São Francisco de Assis.
Quando li, não sei se sorria, se chorava, se gritava ou se pensava, que porcaria de pessoa colocou isso no meu blog??
Foi quando descobri que a internet é uma arma, uma arma branca que pode te elogiar ou te desqualificar, isso mesmo, desqualificar,voce pode simplesmente ser desqualificado por alquem que talvez nem saiba quemvoce é... Simplesmente porque?? Porque voce deixou, voce se expos....
Depois isso, sempre para e penso: 'De que vale o céu azul,se os seres abaixo dele são totalmente obscuros?'