"...deixai com que os mortos enterrem seus mortos!"

 

É uma manhã ensolarada com gosto de primavera. Sinto uma mescla entre frio e calor enquanto, caminhando, passo pela igreja de São Francisco.  Emociono-me. Paro diante da construção. Faço uma mesura e entro, tímido, nesse templo que há tempos está presente no alto da Penha.

 

Percorro com os olhos por toda a nave e vejo-me sozinho. Entro em um corredor e saúdo os bancos vazios que ali estão. Paro novamente e ajoelho-me. Abaixo os olhos e uma oração sincera sai de meus lábios. Meu peito enche-se de um calor suave e tenho nada a dizer senão agradecer, sinceramente, pela força que tive até aqui.

 

Mais alguns minutos e algumas lágrimas cortam-me o rosto. Emociono-me. O calor torna-se mais intenso e tenho certeza de que ali, naquela epifania, estou em paz. Calo-me e continuo minha oração. Agradeço pela alegria que me invade o peito, pelas mãos marcadas, pela saúde em meus pés descalços. Agradeço, sobretudo, por poder chorar e celebrar, em meu íntimo, a transformação por que passo.

 

Lembro-me do Mestre e de suas palavras sublimes que me confortam o coração: “...deixai que os mortos enterrem seus mortos”, diz a passagem. É como se deixasse ali, depositado em suas mãos, o pranto que me aflige. Deixasse ali, em suas mãos, o motivo de toda dor. Os mortos estão a caminhar pelas ruas e suas palavras não me podem ferir enquanto estou ali, com o conforto do Divino. As palavras dos mortos não me podem atingir se eu estiver na paz de meu Divino Amigo...

 

Levanto-me.  Tenho um suave sorriso nos lábios e um novo ânimo em meu íntimo. Saio, ainda timidamente, e o sol continua a me saudar. Uma brisa me toca o rosto e apenas sigo, a caminhar, na certeza de que há mais vida em mim...

 

E quanto aos mortos, vou seguir orando para que um dia consigam descobrir um sentido.

 


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