"...deixai com que os mortos enterrem seus mortos!"
É uma manhã ensolarada com gosto de primavera. Sinto uma mescla entre frio e calor enquanto, caminhando, passo pela igreja de São Francisco. Emociono-me. Paro diante da construção. Faço uma mesura e entro, tímido, nesse templo que há tempos está presente no alto da Penha. Percorro com os olhos por toda a nave e vejo-me sozinho. Entro em um corredor e saúdo os bancos vazios que ali estão. Paro novamente e ajoelho-me. Abaixo os olhos e uma oração sincera sai de meus lábios. Meu peito enche-se de um calor suave e tenho nada a dizer senão agradecer, sinceramente, pela força que tive até aqui. Mais alguns minutos e algumas lágrimas cortam-me o rosto. Emociono-me. O calor torna-se mais intenso e tenho certeza de que ali, naquela epifania, estou em paz. Calo-me e continuo minha oração. Agradeço pela alegria que me invade o peito, pelas mãos marcadas, pela saúde em meus pés descalços. Agradeço, sobretudo, por poder chorar e celebrar, em meu íntimo, a transformação por...